A ETERNA MISTURA QUE MOVE SALVADOR

12 de Mar de 2013

Darcles Andrade, Administrador de Empresas, com extensão em Responsabilidade Social. (Artigo Publicado originalmente em o Correio)

O Carnaval baiano se tornou um produto turístico, sendo considerada hoje uma verdadeira indústria da folia. Não há como negar. É importante para a cidade que a festa gere receita e empregos, atraindo turistas. Mas isso não significa que não há mais espaço na festa para manifestações culturais.
A Petrobras, por exemplo, é patrocinadora máster da festa e abastece os trios elétricos com o biodiesel B-50, que este ano reduziu a emissão de 70 toneladas de CO2. O uso do B-50 proporciona um ganho ambiental para todo o planeta, pois diminui a poluição e o efeito estufa. Mas a empresa também investe nos blocos afros Ilê Aiyê, Olodum, Araketu, Male Debalê, Okambi, Muzenza, Os Negões, Bankoma, Cortejo Afro e o Afoxé Filhos de Gandhy. Alem de assegurar o desfile dos trios Armandinho, Dodô e Osmar, Luiz Caldas e o Trio do Boca (Paulinho Boca).
A Companhia investe na folia e também em atrações comprometidas com a preservação das tradições. Afinal, do mesmo modo que os costumes evoluem nas sociedades, as manifestações culturais também sofrem mutações ao longo dos tempos e é difícil manter as tradições se não houver uma união entre o antigo e o moderno. Acredito que o equilíbrio é essencial para a sobrevivência das tradições diante da modernidade. Tão importante quanto incrementar a economia - gerar emprego e renda, atrair patrocinadores e alavancar o turismo -, é valorizar a cultura.
Percebo que às vezes quando falamos em preservar tradições, muitos entendem isso equivocadamente como “saudosismo”. Ninguém propõe que se recrie o Carnaval das décadas passadas. A preocupação é não permitir que a modernidade aniquile nossa cultura, nossa identidade.
Este ano, grandes estrelas da folia baiana prestigiaram o povo e desfilaram sem cordas para a alegria de milhares de foliões pipoca. Espero que essa prática ganhe a cada ano novos adeptos. Afinal, não podemos pensar no Carnaval de Salvador sem espaço para o folião pipoca, sem o trio Armandinho, Dodô e Osmar, sem Luiz Caldas, ou sem a guitarra baiana.
Dá para pensar em folia baiana sem o Afoxé Filhos de Gandhi, que perfuma as ruas com alfazema e presenteia os foliões com guias de proteção? Sem o ritual da saída do Ilê Aiyê, um espetáculo singular que leva baianos e turistas ao delírio no Curuzu? Sem a inconfundível batida do Olodum, que conquistou o mundo e traz as cores da Jamaica no toque do samba-reggae?
É preciso permitir que a modernidade conviva em harmonia com as tradições.  Isso é democracia, respeito à diversidade.  Há espaço para todos no Carnaval, seja nos blocos, na pipoca ou nos camarotes. Inclusive, tive a oportunidade de apreciar as fanfarras alegrando centenas de famílias, crianças e jovens, na quarta-feira (antes da abertura oficial da festa) na Barra. É essencial assegurar os espaços democráticos da festa, para que o Carnaval continue sendo uma festa com participação garantida do povo. Afinal, como diz Moraes Moreira, “De todos os Santos, encantos e axé, sagrado e profano, o baiano é Carnaval”.
 
Darcles Andrade, Administrador de Empresas, com extensão em Responsabilidade Social
 

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