PETROBRAS E AVES DE RAPINA, POR EMILIANO JOSÉ

05 de Mai de 2014

Aves de rapina. No passado, usávamos muito esse termo para designar aqueles atores políticos voltados à luta contra os interesses nacionais. (Artigo Emiliano José)


Twitter: @ItapebiAcontece





A Petrobras sempre enfrentou forças poderosas a tentar barrar-lhe os passos. Nos anos 40 e 50, o capital internacional e as forças políticas de direita tentaram de todas as maneiras evitar o nascimento da empresa. A clarividência de Getúlio Vargas, a ajuda de Rômulo Almeida e a luta do povo brasileiro tornaram-na uma realidade, malgrado toda a orquestração político-ideológica para desacreditá-la antes mesmo que existisse. Chegava-se a dizer fosse o petróleo uma imaginação de delirantes.

O ataque recente não foge àquele receituário. É o lacerdismo revisitado, que ninguém se engane. Sempre recorro à sentença de Marx: a história se repete; no primeiro lance é tragédia; no segundo, farsa.  As forças opositoras ao regime de partilha proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso Nacional, que deu à Petrobras a hegemonia no controle das reservas do pré-sal, estão construindo o simulacro de um escândalo em torno da aquisição da refinaria de Pasadena, nos EUA, que aos poucos se revela ter sido um bom negócio.

A Petrobras, quando do governo FHC, quase foi a pique. Não era apenas uma metáfora o que dissera o ex-presidente ao expressar sua pretensão de enterrar a Era Vargas. Pretendia também enterrar a Petrobras. Começou a elaborar uma milionária campanha publicitária destinada a mudar o nome para Petrobrax, antessala de sua privatização. Havia iniciativas para vender as refinarias em pedaços. A indústria naval foi destruída e maior plataforma do mundo terminou no fundo do mar. A empresa teve um desempenho pífio durante aqueles oito anos. Um objetivo claro: asfixiá-la aceleradamente, e com isso justificar sua entrega ao mundo privado.

Com Lula e Dilma, a empresa ganhou outra dimensão. Encontrou as maiores reservas da história, localizadas no pré-sal. Iniciou a construção de refinarias gigantes. Recuperou a indústria naval – como lembrou a presidenta Dilma recentemente, quando lançou o navio “Dragão do Mar” em Pernambuco, os adversários diziam que o Brasil não conseguiria fazer sequer o casco dos navios, raciocínio próprio dos que cultivam o complexo de vira-latas a que se referia Nelson Rodrigues.

E passou de pouco mais de 30 mil trabalhadores para quase 100 mil nos dias de hoje. Valia US$ 15 bilhões sob FHC. Hoje seu valor gira em torno de US$ 100 bilhões. E tal valor, que fala por si, não é o mais importante. A empresa conta com 16 bilhões de barris de reservas mais o direito de produzir outros 5 bilhões no contrato de cessão onerosa o que, ao final, significará a preços de hoje coisa de US$ 2,1 trilhões, uma fortuna. Tem uma capacidade de geração elétrica, a partir do gás natural, superior a Itaipu. Fornece ao Brasil em torno de 100 milhões de metros cúbicos de gás por dia. É a maior produtora de biodiesel do País. Não se trata apenas do fato de valer neste momento coisa de sete vezes o que valia sob a desastrada administração 1995-2003, mas, sobretudo, trata-se hoje de uma empresa com extraordinário potencial produtivo.

O negócio de Pasadena, centro da tentativa de construção do escândalo midiático, ainda com a precariedade dos dados revelados, vai evidenciando-se obviamente positivo para a empresa. A presidenta Graça Foster afirmou que o lucro de Pasadena em janeiro e fevereiro deste ano foi de US$ 58 milhões. Se, como diz o ex-presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, multiplicarmos US$ 58 milhões em 10 meses, o chamado prejuízo contábil de US$ 530 milhões já estará coberto. E uma refinaria não é um negócio de retorno rápido. Aproveito para dizer da correção, integridade e competência de Gabrielli. Toda a Petrobras sabe disso.

Aves de rapina. No passado, usávamos muito esse termo para designar aqueles atores políticos voltados à luta contra os interesses nacionais. Inegavelmente, os ataques atuais à maior empresa do País, construída pela mobilização do nosso povo, que resistiu a última ofensiva do governo FHC para destruí-la, guardam semelhança com os anteriores. Seus trabalhadores e o restante da população brasileira evitarão o sucesso das aves de rapina. Trata-se de enfrentar o debate abertamente. Não passarão.

Por Emiliano José
 
Emiliano José é Jornalista e suplente de Deputado Federal (PT-BA)

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