Pequena Sabatina ao Artista

30 de Abr de 2015

Não há receita para apreender as epifanias de um criador. Postulados, cânones, referências, todos eles nos falam de um pensamento analítico. No entanto, vivenciar a leitura e dela retirar algo é experiência movida fortemente pelos subterrâneos de nossa consciência, ambiente regido por uma divindade que até hoje não se sabe bem quem é: a tal subjetividade.

Twitter: @ItapebiAcontece



Por Fabrício Brandão

 

 

Alguém que utiliza as palavras como ponte para um entendimento sobre si mesmo certamente confere à vida ares diferenciados. Se o sopro, matéria-prima das horas, é a primeira razão de ser de qualquer um de nós, o engajamento pelo verbo expande fronteiras do pensar e agir, propondo uma passagem não menos impune pelo mundo. Deixar-se guiar palas palavras significa também tentar equilibrar naturais tensões entre o racional e o emocional. Parece ser equação que não se resolve cartesianamente na medida em que cada polo encerra componentes travestidos de individualidade.

Não há receita para apreender as epifanias de um criador. Postulados, cânones, referências, todos eles nos falam de um pensamento analítico. No entanto, vivenciar a leitura e dela retirar algo é experiência movida fortemente pelos subterrâneos de nossa consciência, ambiente regido por uma divindade que até hoje não se sabe bem quem é: a tal subjetividade.

Escrever é um agarrar-se a incertezas. É conferir ao mundo um olhar que afugenta determinismos. Um flerte constante com a dúvida e o mistério. Tarefa de mortais apenas. E a escritora Neuzamaria Kerner demonstra entender bem a dimensão desse hercúleo ofício na medida em que nos oferta sua obra. Durante toda uma vida dedicada às letras, maior parte dela tomada pela poesia, essa autora renega rótulos e classificações. Para ela, o que importa mesmo é apresentar caminhos, não estabelecer verdades. Talvez por isso não é à toa que sua criação mais recente, O Livro-arbítrio das Evas – dentro e fora do Jardim (Editus – 2014) é um momento em que se exalta a liberdade em duas perspectivas cruciais: a do criador e a do leitor.

Antes de chegar ao seu “livro-arbítrio”, Neuzamaria vivenciou saberes e sabores em publicações como Fragmentos de CristalEu Bebi a Lua e A Presença do Mar na Prosa Grapiúna. Nasceu em Salvador, Bahia, e vive hoje em Vitória, no Espírito Santo. Sua trajetória de escritora também se mescla à carreira de professora, feição que marcou de modo pungente sua vida. Ajudou a fundar a Diversos Afins e agora retorna à nossa presença para falar especialmente sobre seu novo rebento literário, além de recordar passagens importantes de sua manifestação poética no mundo.

 

 

 

Neuzamaria Kerner

Neuzamaria Kerner / Foto: arquivo pessoal

 

DA – Seu mais recente livro já desperta a atenção pelo título emblemático que possui. Nele, você deu voz e vez a personagens femininas silenciadas pelos seus respectivos tempos. O que há dentro e fora desse jardim mundano? O que dizer e o que calar?

NEUZAMARIA KERNER – Dentro do Jardim, há as muitas vozes abafadas das Evas que não tiveram o direito à expressão da própria alma. Fora do Jardim, por incrível que pareça, ainda existem Evas silenciadas por um mundo que começa a acordar (ufa!) para ouvir os sentimentos que brotam de almas aprisionadas. Apesar dos “alardes” femininos, ainda reina – na atualidade – o silêncio por causa de um medo ancestral: de dizer que ama e quer ser amada, de dizer que sofre, que se alegra, que tem raiva, que tem fome de justiça e direitos respeitados, que tem desejos. Como eu mesma nunca paro de me fazer perguntas, busquei nelas as respostas de que necessitava para entendê-las e me entender. Se me permite dois exemplos: Lilith, que aparece em textos da Babilônia, foi execrada de outros “ambientes” e acusada até de ser a serpente que tentou Eva (a primeira). Ela reage e se defende dizendo:

 

 

Mostro-me para sair do exílio
no qual me colocaram.
Quero que todos ouçam
a voz que de mim tiraram:
eu feria os princípios do recato,
assim foi o relato dos escribas
que me condenaram
a ser poeira do livro oficial.

 

 

Em seguida, Eva – a que está nos Livros -, baianamente retada, me disse que Deus lhe deu o jardim e depois a expulsou por causa da natureza que Ele próprio lhe deu:

 

Fui Tua cria e Te louvei
Tua alma habitando em mim.
Me deste o conhecimento
da bondade, da malícia, da perícia em parir.
Não carrego culpa ou dor
dentro ou fora do jardim,
posto que onisciente
me soubeste pura e sã,
e eu Te sei meu conivente
no episódio da maçã.

 

 

As Evas não querem mais calar porque têm o livro e o arbítrio.

 

 

DA – A sua escolha por mulheres bíblicas encerra algum sentido especial? 

NEUZAMARIA KERNER – A Bíblia, apesar de sempre ter sido uma fonte de inspiração, foi também o lugar da opressão feminina. Para mim, independentemente da questão religiosa – e não foi essa minha motivação para escrever – era intrigante como mulheres com histórias tão bonitas não tiveram lugares de destaque oferecidos pelos intérpretes da Bíblia. A mulher de Lot, a que virou estátua de sal, não tinha nome? Veja o que ela, Irit, me diz:

 

 

Que mal houve no meu gesto
qual meu crime, meu pecado?
Fui salgada, fui punida
apenas por ter olhado?
Olhei talvez por saudade
dos filhos que quis rever;
não foi ceticismo ou bravata
tampouco por ser voyeur.
Provoquei do comando a ira,
foi duro comigo o juiz,
mas pergunto a quem me sente
qual mãe não faria o que fiz?

 

 

Também sem nome foi a mulher de Putifar; mil Madalenas ou Magdalas existiam, à época, e no final virou uma sagrada confusão que no meu “inocente” olhar todas essas eram as prostitutas. Posso rir? A fala de Madalena sobre o seu encontro com o Pregador me causou profunda alegria. Que mulher corajosa para amar!

Na verdade, o sentido de tudo está na reinterpretação que dou à vida dessas mulheres porque acho injusto que fiquem relegadas ao limbo. Não foram as Evas que tornaram imperfeito esse nosso jardim. Esse jardim foi ressignificado e a ele todas nós podemos voltar porque com todas as circunstâncias que envolvem um jardim é dele e nele que nos alimentamos.

 

 

DA – As Evas do nosso tempo têm conseguido fazer do mundo um lugar menos inóspito para elas?

NEUZAMARIA KERNER – Mais ou menos. As Evas de nosso tempo estão mais conscientes do seu papel no mundo, que continua razoavelmente inóspito tanto para elas quanto para os Adãos. O feminismo – que também não é o foco desse livro – trata os textos sagrados e patriarcais dos tempos de outrora como antagonistas das mulheres e da condição feminina. Mesmo considerando que esses textos ainda influenciam a vida de muitas. No entanto, não podemos nos perder nos dois tempos: ontem e hoje. As Evas da atualidade, na maioria das culturas, são livres para explorar o que é relevante para as suas vidas e vivenciar suas próprias descobertas, como elas nos dizem nos poemas A Morte da Cinderela, Contenda, Aprendizados em Quatro Segundos, entre outros. Elas querem o amor em toda a sua plenitude e no sentido mais puro da palavra, mas rejeitam a cruz que foi imposta (ou auto-imposta) em algum momento da nossa história. Por isso Tereza de Ávila, a santa, veio espontaneamente ser uma das Evas do livro.

 

 

De tu
– não sei bem o que querias –
mas meu coração, Tereza,
não pode ser só de Jesus
e nem quero por alegria
as dores da Santa Cruz.
Sei que me sabes, Tereza,
pois que me vistes mergulhar
em olhos de mar nascidos
nos claros da luz solar.
De um outro anjo lanceiro
– qual teu poeta João –
recebi o que poucos entendem:
o prazer de ficar na prisão

 

 

É dentro da poesia que o mundo é menos inóspito.

 

 

DA – Quantas falas cabem na verdade de um poeta?

NEUZAMARIA KERNER – Muitas falas! As do próprio poeta e as dos outros (que são muitos), incluindo os invisíveis para o que chamamos de realidade. A fala poética não é feita somente de palavras escritas com lápis depois de pensadas, mas também das palavras sonhadas que o poeta transforma em sua realidade e sua verdade, posto que esta pode ser relativa porque depende da perspectiva de cada um. Por isso Rebeca – em sua fala – nos pergunta: quantas falas cabem numa verdade?

Permanentemente o ser humano, que pensa muito e investiga, busca a verdade que lhe alimente, pois sempre questiona o que foi estabelecido pela sociedade, e nem sempre fica satisfeito com o que tem nas mãos; o que está posto. Por isso acolhe muito facilmente o que lhe vem na imaginação e transforma numa fala real. Por isso, como no poema Anjo no Espelho, não há muitas preocupações com as verdades das falas porque…

 

 

(…) Como poeta
me atrevo ao desrigor da razão
e não busco o enigma inominante
que exubera nesse espelho frente a mim…
Apenas me alimento dessa fonte de inspiração.
(…)

 

 

DA – Além do percurso denso e íntimo pelo universo feminino, seu livro-arbítrio se dedica a outras paisagens e observações. Tem-se a sensação de que nele você consolida toda uma trajetória poética. Quais reflexões você vislumbra nisso?

NEUZAMARIA KERNER – É verdade que além do universo feminino os poemas e os contos no final do livro se ampliam pelo universo onde habita o ser humano com suas alegrias, tristezas, reflexões, certezas, dúvidas e celebração da vida acima de tudo, mesmo quando há turbulências na caminhada de cada um de nós, homens e mulheres. Das reflexões feitas tomamos a consciência de que somos parte de tudo o que forma a comunidade global. E só pensar nisso já é algo poético. Ser tudo e parte de tudo.

O que talvez consolide – como você diz – uma trajetória poética seja mais a consolidação da maturidade que vem sendo construída pouco a pouco. É dentro dessa maturidade que reencontramos a ligação da nossa alma com a alma do mundo, daí os reflexos dessa consciência (paradoxal) de sermos felizes, mas também angustiados e, para mim, a única forma de dizer desses sentimentos é poemando  – até na prosa. No pequeno conto O Livro-arbítrio é possível ver uma prosa poética sofrida de alguém que viaja provavelmente de um plano para outro a fim de encontrar uma pessoa. Há poesia densa nas falas ditas e nas subjetividades da situação. Repare:

 

 

            E eu que vim de tão longe para vê-lo… E eu que atravessei tantas nuvens para vê-lo. Sabe quantas eternidades furei para chegar no lugar exato onde você estaria para me encontrar? Pareço em atrasos. Pereço nos prazos, só pareço. Aqui estou diante da boca dos favos de beijos que nos tempos passados você prometeu. Vim pegá-los. Vim colocá-los neste corpo almado que ainda é seu.

            Cheguei! Vim com livro e com liberdade. O livro-arbítrio meu. (…)

 

 

Se há, então, realmente algo consolidado, é a poesia que existe na vida e na morte. Aqui e acolá. Só não enxergamos essas diversas realidades porque ficamos em estado sonambúlico e não damos ouvidos aos anseios de nossa alma, que tem um vislumbre diferente do ser puramente carnal.

 

 

 

Neuzamaria Kerner

Neuzamaria Kerner / Foto: arquivo pessoal

 

 

 

DA – A presença de um componente místico é algo que, de alguma forma, sempre permeou seus versos. Percebe isso como um possível sentido de transcendência?

NEUZAMARIA KERNER – Sim. É isso que busco para minha vida e que aparece nos meus textos (mesmo quando não está explícito). O sentido da minha existência está na busca de tudo o que transcende a experiência da carne. Creio realmente que somos tudo. Arte e parte de tudo, entendendo que não estamos entregues a um destino sem direção, pois que caminhamos dentro de uma perspectiva iluminadora: lúmen na dor de viver! Porém quando eu falo a palavra “dor”, não a imagino como des-graça, mas no exercício de aprender a viver entremundos e entretudos, buscando acordar as forças da vida universal que moram dentro de nós. Todos os seres se comunicando e intercambiando a seiva cósmica em harmonia e em movimento na plenitude de um Amor maior que nos acolhe e nos embala. Todos os seres sentem dor para crescer, pensar, mudar, evoluir… é como adquirir condicionamento físico por meio da ginástica. Isso se aprende vivendo, errando, acertando, consertando, doendo, mas sempre vivendo aqui ou acolá.

Voltando um pouco à coisa da dor – simbólica ou não – de que falei, há um poema chamado Contenda onde está dito que remo e navio navegam, mas o remo funciona como um chicote que espanca o mar. Em verdade, chicote que espanca é o mesmo que faz com que a navegação (vida) aconteça.

Também o sentido de transcendência está bastante acentuado no poema Passageiro nas Catedrais. O personagem, digamos assim, nos apresenta uma realidade que pode ser percebida através dos sentidos (vários) e que independe de um mundo a que chamamos natural. Outra realidade. Uma situação de intermitência em idas e voltas, transpondo barreiras, tempos, espaços… O verbo transcender (transitivo direto e indireto ao mesmo tempo) – já que estamos falando de transcendência – exige dois complementos e, mal comparando, esse personagem para existir necessita de várias realidades as quais nunca buscamos entender direito. Assim é como o meu texto que faz com que eu me entenda a partir de realidades múltiplas, buscando todos os sentidos possíveis, incluindo o sentido místico em tudo.

 

 

(…) Sou viajeiro
passageiro nas catedrais
que permanecerão nas lembranças
……………….nas ruínas
……………….nas reformas
dos tempos que me levam para a próxima catedral
até quando for mudado
o meu estado de matéria
(…)
Mas sei que a distância entre as catedrais
e meu destino
se encurta e me alonga por igual…
afinal é para isso que tenho viajado
de catedral em catedral.

 

DA – Você é acometida pelo que chamam de angústia da criação?

NEUZAMARIA KERNER – Muito raramente eu sinto essa angústia de que falam sobre o ato de criar. Quem escreve, recria realidades, formata o que não tem forma dentro de certo caos porque às vezes o texto começa pelo meio ou pelo fim do pensamento e é preciso reordená-lo. Às vezes dá uma sensação de vazio quando busco uma palavra e vejo que as que me vêm à mente não se encaixam no que estou querendo dizer porque é muito importante dar sentido ao sem-sentido aparentemente. A palavra específica que não vem na hora da necessidade dá uma ligeira aflição. Num outro momento, quando termino um texto, vem uma sensação de esvaziamento e alívio como de uma necessidade fisiológica. Em outras vezes, quando tenho uma vaga ideia do que quero escrever e não escrevo, sinto uma espécie de ausência, de alguma coisa que precisa

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