Galiotte aposta em clube referência e sem dívida esse é o Palmeiras

15 de Set de 2017

Libertadores, Felipe Melo, Cuca, planejamento para 2018, débito com Paulo Nobre foram alguns dos assuntos da entrevista exclusiva do presidente do Verdão ao GloboEsporte.com

Twitter: @ItapebiAcontece





Um clube referência, sem dívidas e capaz de lutar por todos os títulos que disputar nos próximos anos. Essa é a meta do presidente Maurício Galiotte, que completa nesta sexta-feira, dia 15 de setembro, nove meses no comando do Palmeiras.
 

Para fazer um balanço sobre sua gestão, o dirigente recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no novo centro de excelência da Academia de Futebol. O local, que será a casa da seleção brasileira na preparação da equipe de Tite para a última rodada das Eliminatórias, é motivo de orgulho entre os dirigentes do Verdão desde o fim da gestão de Paulo Nobre e visto como primordial para o que o clube pensa para os próximos anos.
 

– Uma estrutura de excelência como a que temos aqui corrobora com o que nós queremos para a minha gestão e para o futuro do clube, que é o Palmeiras ser referência no futebol brasileiro e no futebol sul-americano. A infraestrutura é um passo importante nesse caminho, como os modelos modernos de administração que estamos implementando, a profissionalização, a política de governança e compliance. São vários fatores que conjugam o Palmeiras a ser um clube referência – disse Galiotte.

 

Após quatro anos como primeiro vice-presidente de Paulo Nobre, o dirigente foi eleito para o comando do Verdão no fim de 2016, com gestão válida até o fim de 2018. A bandeira da atual administração é a construção de uma identidade moderna e cada vez mais profissional, com uma situação financeira que promete ser ainda mais positiva nos próximos anos.

 

Para construir um futuro seguro, Galiotte aposta em quitar todas as dívidas do clube até o fim do seu primeiro mandato. Isso significa zerar todo os débitos com Paulo Nobre, atualmente único credor do Palmeiras, já que todos empréstimos bancários foram quitados pelo clube.

A atual dívida com o ex-presidente é um pouco superior a R$ 30 milhões. A expectativa é que ela deva ser executada até o meio de 2018, prazo bem inferior aos dez anos previstos em 2015, quando o clube criou um mecanismo para pagar o ex-dirigente com parcelas mensais correspondentes a 10% da receita palmeirense (o que, na prática, tem representado pouco mais de R$ 3 milhões mensais de volta para Paulo Nobre). Em quatro anos de mandato, o ex-presidente emprestou R$ 200 milhões ao Palmeiras, a partir de dois fundos diferentes, sendo que um deles já foi quitado.

 

– Nosso objetivo é ser um clube referência. Não ter dívida faz parte. Além de ser uma responsabilidade da gestão, pagar a dívida é um objetivo para ter o Palmeiras como modelo de gestão. Se termos recursos e condições nós temos de pagar – afirmou Galiotte.

 

Por quase uma hora, o presidente do Verdão falou sobre o planejamento da equipe para a próxima temporada, discussão sobre mudanças no estatuto do clube, a frustração pelas eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, a contratação de Borja, o futuro de Cuca e a polêmica envolvendo Felipe Melo.

 

Veja os principais trechos da entrevista de Maurício Galiotte:

 

Primeiros meses como presidente

– Quando você assume a presidência, você é o responsável. Em vários fatores, você não tem gerência direta, como por exemplo dentro de campo, mas você é o responsável. Estamos trabalhando com uma meta clara, que é a busca de títulos. Temos de ser campeões, trabalhamos nesse sentido sempre. Porém, resultado de campo você não controla. O que temos de base para tudo isso é formar um clube que no futuro em breve, estamos caminhando a passos largos, que possa servir de exemplo em vários fatores. O papel do presidente, além de ser responsável e zelar pelos interesse do clube, é direcionar o Palmeiras a ser referência em relação a parte esportiva, administrativa, financeira, modelos modernos de administração. Buscamos ganhar tudo o que podíamos neste ano, mantivemos estrutura do ano passado, renovamos com Dudu, Moisés, Tchê Tchê, Mina, mantivemos basicamente a equipe campeã brasileira e nos reforçamos, trouxemos jogadores renomados, mas resultado de campo você não controla. Nós entendemos essa angústia por esse objetivo não atingido até o momento. Temos de manter exatamente o nosso trabalho.

 

Lado torcedor

– Eu sou torcedor, sempre fui torcedor do Palmeiras. A partir do momento que você é o responsável, a emoção não pode tomar conta. A chateação quando não acontece o resultado é a mesma do torcedor. Eu sinto o que o torcedor sente, alegria na vitória e chateação quando não ocorre. Mas precisa ter responsabilidade. Essa é a diferença. O torcedor é paixão, no outro dia está discutindo sobre derrota, vitória ou empate, e nós estamos administrando o clube, definido o que vai ser feito. O torcedor não tem o compromisso do dia a dia, mas tem um papel fundamental, que é estar junto. O torcedor do Palmeiras abraça a causa de uma maneira absurda, o engajamento do palmeirense é o maior do Brasil. Temos de entender essa paixão e como aflora. Mas o presidente não pode ser torcedor sempre. Também é, mas não pode ser sempre porque é um administrador.



 

Libertadores


– Eu dei uma declaração que o segredo para ganhar a Libertadores é estar sempre disputando. Disputamos ano passado e neste ano. Fomos mal ano passado, neste ano também fomos mal e no ano que vem tem de disputar de novo. E no outro, da mesma maneira. Esse é o segredo para ganhar. Tem as características da Libertadores, que são diferentes dos nossos campeonatos. A língua, a arbitragem, os deslocamentos... Faz parte da adaptação, você vai se preparando. Quanto mais disputa, melhor vai se condicionando. Eu disse e repito ao torcedor, a nossa estrutura, o trabalho que está sendo montado, esse clube referência que estamos criando tem como objetivo maior ganhar a Libertadores e depois disputar o Mundial, ao seu tempo. Vai acontecer. O trabalho está sendo feito nessa direção, para isso temos de estar sempre disputando.

 

Pressão atrapalhou


– Tudo aconteceu de uma maneira natural. Críticos da mídia esportiva, torcedores, todos tinham a mesma opinião, de que o Palmeiras seria um time muito forte e com muita chance de título. Nós também pensávamos isso, todo planejamento foi feito nessa direção, mas no futebol não temos controle. Saímos na Copa do Brasil de um 3 a 0, viramos para 4 a 3 e tomamos um gol no final. Na Libertadores igualamos no segundo jogo, tivemos chance de fazer 2 a 0 e não fizemos, fomos eliminados nas penalidades. Faz parte. Óbvio que o torcedor fica chateado, nós também. Toda aquela expectativa criada foi de forma natural pelas contratações e pela manutenção do time campeão. A expectativa foi absurda, em alguns momentos ficou realmente pesado. Temos de monitorar porque estaremos fortes no ano que vem também, mas precisa de equilíbrio e saber que vamos dusputar sempre com objetivo de ganhar, mas resultado de jogo não controlamos.





 

Borja

– Foi contratado porque é um grande jogador. O valor investido nele é porque ele é campeão da Libertadores, eleito o melhor jogador das Américas. Ele terá o tempo suficiente de adaptação. Ele comentou com o Mattos e depois comigo, que tem condições de vencer no Palmeiras. Você contrata o ser humano, existe período de adaptação, uns vestem a camisa e saem jogando, outros demandam um tempo maior. É natural. Acreditamos no atleta, disse isso a ele. Tem total confiança da diretoria e vai ter o tempo que precisar para jogar o futebol dele.

 

Cuca

– O Cuca tem contrato com o Palmeiras até o fim do ano que vem. A ideia é que ele continue no clube com toda estrutura do futebol profissional que existe hoje. Quando há ruptura, sempre há prejuízo, mas às vezes se faz necessário, tanto é que os clubes acabam fazendo por várias circunstâncias... Quando o Cuca saiu, nós contratamos o Eduardo, são características diferentes. Mas o Cuca tem um estilo próprio, não tem (as mesmas características) no mercado. Ele tem estilo único de relacionamento, filosofia, pensamento de futebol...

 

Então tivemos ruptura de um modelo para outro, e depois novamente. Não tenho dúvida de que acabamos perdendo um pouco da sequência e isso até prejudicou.

 

– A ideia é que o Cuca permaneca, por isso que fiz contrato até 2018. Não tenho sinalização (de uma possível saída na próxima temporada). Se por algum motivo ele não quiser continuar temos de conversar, porque aí não tem alternativa.

Felipe Melo
– Cuca nunca manifestou (vontade de sair), a não ser aquele momento específico no primeiro desentendimento com o Felipe. Superado. O Cuca tem contrato até o final de 2018, ele conversou com o Felipe Melo, eu estive presente.

 

A situação está resolvida. O atleta respeita o treinador, o treinador respeita o atleta, e o Palmeiras tem de ser respeitado. A situação tem de ser resolvida porque o Palmeiras é o principal envolvido nisso tudo.

 

– O tema mais sensível é a gestão de pessoas. São muitas pessoas. O torcedor, o atleta, a parte política dos conselheiros e diretoria, o associado do clube que também tem reivindicações. Isso é o mais desafiador. Do Felipe Melo, tivemos um problema pontual, uma situação específica, foi tratado pelo departamento jurídico em paralelo ao departamento de futebol. Os dois canalizaram para a mesma situação, ele está de volta e resolvido.





 

Planejamento para 2018

– É importante o torcedor saber que o Palmeiras está planejando o próximo ano, 2019, 2020. É um planejamento de médio a longo prazo, temos objetivo de ser referência em todos aspectos, inclusive na conquista de títulos. Temos uma base bastante consistente, grandes jogadores, nossa ideia é a manutenção de todos os jogadores do elenco e se tivermos condições trazer alguns jogadores que possam agregar ainda mais para buscarmos os títulos que o Palmeiras almeja.

Situação financeira

– O Palmeiras não tem necessidade nenhuma de vender jogador para reequilíbrio de caixa. Nossa situação hoje é equilibrada financeiramente. Teremos uma receita recorde, ao redor de R$ 500 milhões neste ano, pagaremos a nossa dívida em meados de 2018. No próximo ano o Palmeiras não terá mais dívidas com bancos ou fundos. O que fica são as contas operacionais, as contas do dia a dia. Depois de muitos anos, o Palmeiras não terá mais dívida. Depois de muitos anos também conseguimos atingir o patrimônio líquido positivo, o que também foi um resultado importante. A venda de um jogador ocorre naturalmente, se for uma proposta interessante para o atleta e para o clube faz parte do processo. Porém o Palmeiras não venderá jogador para cobrir caixa. O que pudermos manter no ano que vem, vamos manter, e fortalecer de forma pontual.

 

Mudanças de 2013 para os dias de hoje

– Assumimos o Palmeiras em uma situação catastrófica. 2013 e 2014 foram muito complicados, financeiramente, administrativamente, esportivamente... Foram dois anos terríveis. Em 2017 serão cinco anos à frente da administração do clube, quatro como vice e agora um ano como presidente, e digo aos senhores que passei por todos os momentos. Em 2013 e 2014, sem patrocínio.... Em janeiro de 2015, já com inauguração da arena, e com as chegadas da Crefisa e da FAM, fizeram toda diferença. Com isso tivemos crescimento de sócio Avanti, aí o Palmeiras mudou e foi outro clube. Daqui pra frente tem de sempre acelerar. São cenários completamente diferentes, temos praticamente três vezes a receita de 2013, um equilíbrio financeiro, profissionais de ponta, processos modernos que estão sendo implementados... São situações distintas.





 

Relação com a Crefisa

– Fala-se muito do valor que é investido no Palmeiras por parte da Crefisa e da FAM. A chegada da Crefisa e da FAM sem dúvida nenhuma foi um divisor de águas, coincidindo com a arena e com o crescimento do Avanti (programa de sócio-torcedor). Esses três fatores mudaram o rumo do Palmeiras. A Crefisa e a FAM são extremamente importantes para o clube. A posição da Leila (Pereira) e do José Roberto (Lamacchia, que comandam as empresas parceiras) é a mesma, o Palmeiras é importante para a FAM e para a Crefisa. Os valores envolvidos fazem sentido se para eles agrega ao negócio, para o Palmeiras é fundamental também. É uma negociação diferente, mas importante para as duas partes.

 

Leila afirmou que não deixa o Palmeiras enquanto o clube não conquistar o Mundial


– Além de patrocinadores, são grandes parceiros e extremamente importantes para o clube. Vamos trabalhar em busca desse objetivo, sempre. Temos isso como meta. Se conseguirmos a cruto prazo, vou convencê-la de ficar mais para conseguir o segundo, o terceiro. Se não vier a curto prazo, permanece até conseguirmos. Está tudo bem.

Palmeiras receberá a seleção brasileira na Academia e na arena, em outubro

– É uma sensação muito agradável o Palmeiras poder oferecer a estrutura para a Seleção para os treinamentos. Eventualmente até podem ficar hospedados, mas é uma decisão interna da CBF. Hoje temos toda estrutura que o futebol moderno necessita, em termos de hotelaria, de campos, de tecnologia, parte médica... O Edu esteve aqui e conheceu todo o espaço. Estamos à disposição. O Brasil vai jogar no Allianz (dia 10 de outubro, contra o Chile pela última rodada das Eliminatórias). Estamos à disposição para contribuir e ajudar.
 

Mudança no estatuto

– São vários itens que estão sendo discutidos. Esse assunto é liderado pela comissão estatutária e pelo presidente do Conselho Deliberativo, que é Seraphim Del Grande, entre eles o mandato de presidente, número de cadeiras de conselheiros vitalícios, data para apresentação de balanço, que podem ou não serem aproveitados. Temos como meta neste ano levar ao debate ao CD. Gostaríamos que neste ano ainda tivéssemos que a reforma estatutária fosse debatida no Conselho.....Passa no Conselho primeiro e depois é levada aos socios.
(NR: o clube discute no Conselho Deliberativo alterações que incluem, por exemplo, a mudança no mandato do presidente de dois para três anos, entre outras modificações.










Entrevista concedida ao Globo Esporte



 

 
 
 
 
 
 

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