Berço de craques da várzea da Zona Norte luta para não virar saudade em SP

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Fim de uma era: Tradicional reduto da várzea no Campo de Marte sofre demolições e vive incerteza.

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O cenário do futebol de várzea na Zona Norte de São Paulo atravessa um momento crítico. O Complexo Esportivo do Campo de Marte, histórico celeiro de craques e centro cultural da região, enfrenta um processo de desocupação e demolição para dar lugar ao novo Parque Campo de Marte. A decisão judicial, que autorizou as máquinas a avançarem sobre o terreno, divide opiniões e ameaça décadas de tradição.

O Trator sobre a História

No último dia 12 de março, o Campo Aliança — o único gerido por uma mulher no complexo, Soraya Marks — foi reduzido a escombros. O local era referência para o futebol feminino e serviu de base para atletas como Matheus Bidu, hoje no Corinthians.

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“Para mim, eu perdi um filho de 24 anos”, desabafou Soraya, que morava no local e agora sobrevive com auxílio de R$ 400 e doações.

Samba e Futebol sob Ameaça

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Outro ponto central da crise envolve o Cruz da Esperança, clube fundado em 1958 por taxistas pretos. O espaço é famoso por unir o futebol a rodas de samba que atraem mais de mil pessoas. Ídolos como Serginho Chulapa e Basílio (herói do título corintiano de 1977) são figuras históricas da agremiação.

O impasse com a prefeitura ocorre porque o novo projeto do parque não permite eventos de samba ou atividades comerciais.

A posição do Clube:

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O presidente Antonio de Jesus Marques, o Toninho, afirma que “o parque está no lugar errado” se não comporta a cultura da comunidade.

A posição da Prefeitura: Alega que o Cruz da Esperança abandonou as negociações por não aceitar as regras de uso do espaço público.

O Projeto do Novo Parque

A área de 385 mil m² será gerida pela Concessionária Campo de Marte (dos mesmos acionistas do Pacaembu). O contrato prevê:

Investimento de R$ 202 milhões.

Construção de cinco novos campos de futebol.

Gestão compartilhada com os clubes que aceitaram o acordo (SADE, Pitangueiras, Paulista e Baruel).

Resistência e Futuro

Enquanto a prefeitura afirma que o diálogo foi amplo e que o projeto beneficiará 300 mil pessoas, moradores e frequentadores resistem. Um abaixo-assinado com mais de 23 mil assinaturas tenta barrar as demolições, defendendo que a várzea é, antes de tudo, um patrimônio de identidade cultural que não pode ser substituído apenas por gramados modernos.

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Recentemente, a Justiça concedeu mais 60 dias para que o Cruz da Esperança desocupe o local, adiando temporariamente o fim de um dos últimos bastiões do samba e do futebol raiz em São Paulo.

Fonte: Adaptado de GE / Redação ItapebiAcontece