Crise no SBT: Programa do Ratinho pode ser suspenso após ataques transfóbicos contra Erika Hilton

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Ratinho deu declarações consideradas transfóbicas ao falar sobre a deputada federal – Foto: Reprodução | Redes Sociais e SBT

“O comentário, classificado como transfóbico, gerou reações imediatas de movimentos sociais e pode comprometer a permanência do comunicador no SBT.”

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Imagem Reprodução web

O futuro do “Programa do Ratinho” no SBT entrou em rota de incerteza. O Ministério das Comunicações confirmou que analisará um pedido da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para suspender a atração por 30 dias. A medida é uma resposta a declarações da última quarta-feira (11), classificadas como transfóbicas, proferidas pelo apresentador em rede nacional.

O estopim da polêmica

Durante a exibição do programa, Ratinho criticou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Em tom agressivo, o apresentador questionou a identidade de gênero da parlamentar:

“Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”, afirmou o comunicador.

Ministério e SBT se manifestam

Em nota enviada ao jornal O Globo, o Ministério das Comunicações informou que a representação administrativa já está com a equipe técnica da Secretaria de Radiodifusão (Serad). A pasta reiterou seu compromisso com a legislação vigente e a transparência nos trâmites legais.

Já o SBT buscou se distanciar das falas de seu contratado. Em comunicado oficial, a emissora afirmou que repudia qualquer forma de preconceito e que as opiniões de Ratinho não refletem a visão da empresa. O canal informou que o caso está sendo analisado internamente pela direção.

Risco de prisão e investigação criminal

A ofensiva de Erika Hilton não se limitou à esfera administrativa. A deputada acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), protocolando um pedido de investigação no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância.

A petição sustenta que Ratinho utilizou a concessão pública para negar a condição feminina da parlamentar, disseminando um discurso de ódio. Caso seja condenado por transfobia — crime equiparado ao racismo pelo STF —, o apresentador pode enfrentar uma pena de até 6 anos de reclusão.

“Negação explícita”

O documento jurídico destaca que as falas não foram apenas críticas políticas, mas uma “negação explícita da identidade de gênero” da deputada, potencializada pelo alcance da TV aberta e das redes sociais. Até o fechamento desta matéria, o apresentador Ratinho não havia feito novos comentários sobre as ações judiciais.

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