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João das Alagoas e Sil da Capela lideram a perpetuação de um saber que atravessa gerações e fronteiras.

Em Capela, município localizado na Zona da Mata de Alagoas, o que para muitos é apenas “barro do quintal” tornou-se o combustível de uma revolução social e cultural. A cerca de 60 km de Maceió, a cidade respira tradição e vê sua identidade ganhar o mundo através das mãos habilidosas de artesãos que transformam matéria-prima simples em obras de arte internacionalmente reconhecidas.
Um Portal de Tradição
Quem chega à cidade é logo recepcionado por esculturas gigantes de um bumba-meu-boi e de uma jaqueira. Mais do que monumentos, as peças são símbolos da força do artesanato local e homenageiam os mestres que fizeram da modelagem a alma da região.
Mestre João das Alagoas: O Patriarca do Barro

Bumba-meu-boi, de João das Alagoas, foi instalado no Centro de Capela (foto: Severino Carvalho)
Reconhecido como Patrimônio Vivo de Alagoas, João das Alagoas é o pilar dessa história. Autodidata com 58 anos de estrada, ele conta que a conexão com o material foi visceral.
“Eu acredito que foi o barro que me escolheu. O barro veio porque é mais acessível, mais espontâneo e livre”, afirma o mestre.
Além de ter peças expostas em museus internacionais e colecionar prêmios (como uma menção honrosa na Argentina), João dedica sua vida ao ateliê-escola. Para ele, o maior legado não são os prêmios, mas a sucessão: a alegria de ver filhos e alunos perpetuando o saber.
Histórias de Transformação: Do Corte de Cana às Galerias de Arte
A arte em Capela não mudou apenas a estética da cidade; mudou destinos. O artesanato serviu como uma ponte para fora da invisibilidade social.
Sil da Capela:

Ex-cortadora de cana, Sil conheceu o Mestre João há 26 anos. Hoje, suas famosas esculturas de jaqueiras são exportadas para diversos países. “A arte me trouxe para um mundo que eu jamais chegaria sendo cortadora de cana”, revela.
Adriana da Jaca:
Irmã de Sil e ex-empregada doméstica, Adriana encontrou no barro sua independência financeira e reconhecimento pessoal.
Mestra Nena:
Antes vendedora de galinhas para sustentar a família na entressafra da cana, hoje é Mestra da Cultura Alagoana, famosa por seus girassóis esculpidos.
Victor: Representando a nova geração, Victor especializou-se em figuras do Guerreiro (folguedo tradicional), unindo a herança familiar à técnica refinada do ateliê de João.
Identidade e Futuro
O que começa de forma simples no quintal das casas em Capela termina como símbolo de resistência cultural. O artesanato local prova ser, simultaneamente, um motor econômico e um guardião da memória alagoana. Em cada peça modelada, vai um pouco da história da Zona da Mata, atravessando fronteiras e reafirmando que a arte é a ferramenta mais poderosa de transformação social.
ItapebiAcontece – Com informações do G1 Alagoas

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