SOS Cacau: Produtores fecham a BR-101 contra importação africana e queda nos preços

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Imagens: Reprodução web

Manifestação no distrito de Itamarati travou o trânsito neste domingo (25); nova mobilização já está marcada para quarta-feira (28).

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O Sul da Bahia amanheceu em pé de guerra neste domingo (25). Produtores, comerciantes e lideranças políticas da região uniram forças em um protesto contundente na BR-101, altura do km 106, no distrito de Itamarati (Ibirapitanga). O bloqueio, que teve início às 6h da manhã, interrompeu o fluxo nos dois sentidos da rodovia, gerando grandes congestionamentos e enviando um recado claro às autoridades e à indústria moageira.

A categoria protesta contra a entrada massiva de cacau vindo da África, o que tem causado uma desvalorização drástica e histórica no produto nacional. O clima é de revolta entre quem vive da lavoura, e o movimento promete não parar por aqui: um novo ato já foi convocado para a próxima quarta-feira (28), no mesmo local.

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Por que o setor parou?

O desequilíbrio econômico no campo atingiu um nível insustentável. Confira os principais pontos que motivam a mobilização:

Derrocada nos Preços: Em apenas um ano, o valor da arroba do cacau despencou de R$ 1.000 para apenas R$ 250. Segundo os produtores, o valor atual não cobre sequer os custos básicos de manutenção das fazendas.

A “Ameaça” Africana: O setor acusa a importação de amêndoas da África de criar estoques artificiais para “achatar” o preço pago ao produtor brasileiro, sufocando a economia regional.

Deságios Excessivos: Há uma forte crítica aos descontos aplicados pelas indústrias sobre os preços internos (baseados na Bolsa de Nova York). Os produtores alegam que os pagamentos estão nos níveis mais baixos das últimas duas décadas.

Falta de Isonomia: Os manifestantes exigem que o cacau importado siga as mesmas normas rigorosas de classificação e logística impostas ao produto nacional, o que hoje não aconteceria.

O Outro Lado

As indústrias moageiras, por sua vez, justificam a importação como uma medida estratégica para manter as fábricas em operação. Segundo representantes do setor, a queda no consumo global de derivados de cacau reduziu o ritmo de produção, gerando acúmulo de estoque e influenciando na volatilidade dos preços.

Fique por dentro:

O ItapebiAcontece continuará acompanhando os desdobramentos dessa crise que afeta milhares de famílias em nossa região.