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Com alta superior a 20% no ano, cotação da arroba do boi gordo encosta no patamar de R$ 400. Fatores como a forte demanda chinesa, embarques para os EUA e a baixa oferta de animais para abate impulsionam o movimento de alta.

Uma combinação de fatores no mercado nacional e internacional disparou o preço do boi gordo no Brasil, que já caminha para atingir a marca histórica de R$ 400 por arroba. A disparada é impulsionada pela forte demanda das exportações para a China e Estados Unidos, pela menor oferta de animais para abate e, mais recentemente, pela alta do dólar frente ao real.
A disparada atinge em cheio a cadeia produtiva e acende o sinal de alerta para o consumidor, que deve sentir o impacto no preço da carne nos açougues e supermercados.
Em São Paulo, estado que serve de referência para o mercado nacional, a arroba é cotada a cerca de R$ 390, acumulando uma valorização superior a 20% no ano — sendo um terço desse aumento registrado apenas no mês de outubro, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).
Dólar alto e forte demanda externa impulsionam cotações
Entre os impulsionadores mais recentes da alta está o mercado de câmbio. Na última semana, o dólar acumulou valorização de 9,15% em reação do mercado ao cenário político pós-segundo turno das eleições.
Segundo a CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, a alta da moeda americana aumenta a competitividade do produto brasileiro no exterior. “O principal motivo da alta é a valorização do câmbio, que eleva o interesse da indústria em exportar para faturar em dólares. Com o mercado externo mais atrativo, o preço do boi subiu junto”, explica.
Paralelamente, a China — maior compradora da carne brasileira — se prepara para retomar os embarques entre novembro e dezembro visando o preenchimento da cota de 2027, com tarifação reduzida de 12%. Em meados deste ano, os chineses já haviam esgotado a cota prevista para 2026.
Negócios a R$ 400 e o limite do mercado interno

O líder do setor de pecuária da consultoria Datagro, João Figueiredo, destaca que frigoríficos exportadores já realizam negócios no patamar dos R$ 400 por arroba. Impressiona o fato de que até empresas voltadas ao consumo interno chegaram a pagar esse valor para garantir estoque antes das festas de fim de ano, período em que a procura por carne tradicionalmente aumenta.
No entanto, o especialista alerta que os R$ 400 devem funcionar como um “teto” para o mercado doméstico, já que valores acima disso começam a inviabilizar a compra pelo consumidor brasileiro. Figueiredo pontua ainda a preocupação com o consumo interno no início de 2027, a depender de eventuais medidas de ajuste fiscal do governo.
Já o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, prevê que não há espaço para queda nos preços no curto prazo. Para ele, o equilíbrio tenso entre a oferta restrita no campo e a forte demanda externa sustentará as cotações altas até o primeiro semestre do próximo ano.
Margens apertadas para o pecuarista e o consumidor
Para 2027, a expectativa dos analistas é de margens mais estreitas em toda a cadeia produtiva.
“O ajuste vem desde o consumidor, que pagará mais caro pela carne, até o recriador e o terminador, que enfrentam custos elevados na compra do bezerro e do boi magro”, analisa Carvalho, ressaltando que a diferença entre o custo de compra do animal e a venda da carne é uma das menores registradas desde 2023.
Apesar do arrocho nas margens dos frigoríficos no primeiro momento, especialistas acreditam que o setor conseguirá compensar as perdas com o aumento das exportações faturadas em dólar alto, especialmente para os Estados Unidos — segundo maior destino da carne brasileira e um dos mercados que paga os melhores valores por tonelada.
ItapebiAcontece – Com informações da Folha de S. Paulo

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