Azedou: Áudio de Flávio incendeia o Congresso, que já soma sete pedidos de CPI do Master

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Palácio do Congresso Nacional, em Brasília  • Carlos Moura/Agência Senado

Articulação pesada: Conversa entre o parlamentar e o ex-dono do banco deu fôlego extra à base que tenta emplacar a investigação no Congresso.

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A temperatura política subiu em Brasília. O vazamento de conversas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocou o Congresso Nacional em pé de guerra. Parlamentares agora correm contra o tempo para tentar emplacar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso do Banco Master.

Atualmente, o Legislativo já acumula pelo menos sete tentativas de abrir uma investigação sobre o tema, mas todas seguem travadas nos bastidores do poder.

O estopim da nova crise

O escândalo ganhou força nesta semana após a revelação de um suposto patrocínio de Vorcaro a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso foi o combustível necessário para a articulação de dois novos pedidos de comissões mistas de inquérito (CPMIs), que estão na fase de coleta de assinaturas:

  • Iniciativa da Oposição: Coordenada pelo senador Carlos Viana (PSD-MG).
  • Iniciativa da Situação: Liderada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara.

Na última sexta-feira (15), o deputado Lindbergh Farias acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança para tentar obrigar o Congresso a instalar a comissão de forma imediata.

Jogo de interesses e a lista de pedidos

Apesar do barulho, analistas avaliam que as chances reais de a CPI sair do papel ainda são baixas devido à divisão política:

  • Governo: Quer usar a comissão para desgastar a imagem e a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
  • Oposição: Quer inverter o foco e defende que absolutamente todas as relações envolvendo o Banco Master entrem na mira do Congresso.

Além das duas novas propostas, outras cinco petições já alcançaram o número mínimo de assinaturas, mas seguem sem movimentação oficial. Veja quais são:

  1. CPI na Câmara: Articulada por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
  2. CPI no Senado: Sugerida por Eduardo Girão (Novo-CE).
  3. CPI ampla no Senado: Proposta por Alessandro Vieira (MDB-SE) para investigar Vorcaro e os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
  4. CPMI do Master (Mista): De iniciativa do deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
  5. CPMI do Master (Mista): Apresentada pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

Os “gargalos” no Senado, na Câmara e no STF

Para que as investigações no Senado ou as comissões mistas comecem, é preciso o aval do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). No entanto, Alcolumbre vem resistindo fortemente à pressão e não deu sinais de que irá liberar os pedidos.

A oposição também tenta destravar a comissão por meio de outra ação no STF, sob a relatoria do ministro Nunes Marques. Contudo, o processo não avança, e senadores pressionam para que o ministro se declare suspeito, passando o caso para outro magistrado.

Já na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) descartou totalmente a abertura de uma nova CPI, alegando que existem pedidos mais antigos na fila de espera. Essa decisão ganhou respaldo do ministro do STF, Cristiano Zanin, que rejeitou um pedido para forçar a abertura da investigação na Casa.

O que diz Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro nega qualquer tipo de irregularidade nas tratativas com Daniel Vorcaro. O parlamentar afirmou que as conversas trataram “especificamente” sobre a produção do filme e destacou que o acordo envolvia apenas recursos privados. Flávio afirmou publicamente que considera “fundamental” a instalação de uma comissão de inquérito para esclarecer os fatos.


ItapebiAcontece – Com informações da CNN Brasil