Luto na MPB: Morre o cantor Benito Di Paula, ícone do samba e autor de ‘Retalhos de Cetim’

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Imagens: Reprodução web

Ícone do samba, o artista estava internado em São Paulo e não resistiu às complicações de um câncer.

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Morreu neste domingo (18), aos 84 anos, o cantor e compositor Benito Di Paula, em São Paulo. Conhecido por sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, o artista estava internado no Hospital 9 de Julho e morreu em decorrência de complicações de um câncer.

Um dos grandes nomes da música popular brasileira, Benito marcou a década de 1970 ao desenvolver um estilo próprio de samba, misturando romantismo, ritmo e a sonoridade marcante do piano. O artista, cujo nome de nascimento é Uday Veloso, adotou o nome artístico Benito Di Paula no fim dos anos 1960.

Embora tenha se destacado no universo do samba, o cantor preferia se apresentar como “sambeiro” e “pianeiro”, e sua escolha refletia sua maneira particular de tocar, utilizando o piano para reproduzir elementos rítmicos tradicionalmente associados a instrumentos de percussão.

O reconhecimento nacional veio com “Retalhos de Cetim”, lançada em 1972 e transformada em um dos maiores sucessos do ano seguinte. A música ultrapassou a marca de 150 mil cópias vendidas e ajudou a consolidar o artista entre os nomes mais populares do país.

Antes disso, Benito já havia chamado atenção com “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, presente em um disco de 1971. Nos anos seguintes, ampliou seu repertório de sucessos com “Se Não For Amor”, “Charlie Brown”, “Beleza Que É Você Mulher” e “Vai Ficar na Saudade”.

Apesar da popularidade, o cantor enfrentou resistência de parte da crítica musical, que considerava “cafona” suas composições românticas e seu visual característico, de cabelos compridos e bigode. Apesar disso, ele seguiu seu estilo e se popularizou ao longo das décadas.

A influência de Benito também chegou às gerações seguintes do samba e do pagode, fazendo com que, em 2003, ele gravasse “Do Jeito Que a Vida Quer” ao lado do grupo Revelação, parceria que ganhou destaque nas rádios e apresentou seu trabalho a um público mais jovem.

A trajetória musical do artista começou ainda na adolescência. Sua primeira gravação ocorreu em 1956, com a composição “Final”, registrada por Portinho e sua Orquestra. Dez anos depois, lançou seu primeiro compacto com o próprio nome. Em 1969, a canção “Canção para o Nosso Amor” integrou a trilha sonora da novela “Nino, o Italianinho”, exibida pela TV Tupi.

Ao longo de sete décadas de atividade musical, Benito Di Paula construiu um repertório que atravessou gerações e ajudou a consolidar o piano como uma das marcas de sua interpretação do samba.

ItapebiAcontece / Correio 24 horas