Troca de favores, “mesada” e voos: entenda investigação da PF sobre Ciro Nogueira e Master

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Fotos: Reprodução web

PF apura suspeitas de benefícios financeiros ligados à atuação parlamentar do senador em favor do Banco Master

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A Polícia Federal identificou mensagens em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro cobra atrasos em supostos pagamentos destinados ao senador Ciro Nogueira. As conversas, trocadas com o primo Felipe em janeiro de 2025, mencionam um aumento de R$ 300 mil para R$ 500 mil em valores ligados à estrutura apontada pela PF como vinculada ao parlamentar. As informações são do jornal O Globo e da coluna de Mirelle Pinheiro no Metrópoles.

Segundo a investigação, Felipe atuava no núcleo financeiro-operacional da organização criminosa supostamente liderada por Vorcaro. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro reclama do atraso de dois meses nos pagamentos a “Ciro” e questiona se os repasses continuariam em R$ 500 mil ou voltariam a R$ 300 mil. Em outro diálogo, Vorcaro classifica como “muito importante” a continuidade de transferências para um grupo identificado como “BRGD”, apontado pela PF como canal de recebimento de vantagens indevidas.

Troca de favores

A quinta fase da Operação Compliance Zero também investiga possíveis trocas de favores entre o senador e o Banco Master. Entre os indícios citados está uma emenda apresentada por Ciro Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, o texto teria sido elaborado dentro do banco e entregue ao parlamentar. Em mensagens, Vorcaro comemorou a proposta afirmando que “saiu exatamente como mandei”.

Uso de cartão de crédito 

Outro ponto citado pela Polícia Federal é que Daniel Vorcaro teria disponibilizado um cartão de crédito para custear despesas pessoais do senador Ciro Nogueira. Segundo a investigação, os gastos incluíam diárias em hotéis de alto padrão, viagens internacionais e despesas em restaurantes. A PF afirma ainda que mensagens interceptadas entre Vorcaro e Léo Serrano, apontado como intermediador das operações, fazem referência ao uso do cartão. De acordo com os investigadores, Ciro também teria recebido repasses mensais que chegaram a R$ 500 mil, em uma suposta troca de favores relacionada à atuação parlamentar em benefício do Banco Master.

O que diz a defesa

A defesa do senador e presidente nacional do PP negou as acusações e ainda afirmou que o parlamentar  está comprometido em contribuir com a Justiça para “esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados”.

Segundo os advogados, a operação da PF  foi baseada em troca de mensagens. “Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve”.

Operação Compliance Zero

A operação, deflagrada nesta quinta-feira (7), cumpre mandados no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro nacional. O STF autorizou o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens dos investigados. A defesa de Ciro Nogueira afirma que o senador não recebeu valores ilícitos e nega relação irregular com o caso.

Por: Metro 1