Imagens: Reprodução web
TV Bahia revela o teor da delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis. No depoimento ao Ministério Público (MP-BA), ela detalha encontros do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB) com chefes de facções e a negociação de uma fuga em massa que custaria R$ 2 milhões.

Encontros a “portas fechadas” e retirada de algemas
Joneuma, a primeira mulher a comandar a unidade, afirmou que foi indicada ao cargo por Uldurico. Segundo ela, as irregularidades começaram logo no primeiro dia de trabalho:
Visitas constantes: Uldurico teria visitado o presídio pelo menos três vezes entre março e junho de 2024.
Privilégios: Em uma das reuniões, o ex-deputado teria solicitado que as algemas dos traficantes fossem retiradas para a conversa, que ocorria sem a presença de inspetores.
Intermediários: Matheus da Paixão Brandão, ex-secretário parlamentar de Uldurico, também teria ido à unidade três vezes para tratar com os detentos.
A Fuga de R$ 2 milhões e a “Caixa de Sapato”
A delatora afirma que mantinha um relacionamento com o político e que ele a pressionou para facilitar o contato com Ednaldo Pereira Souza, o “Dada”, líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
O Motivo: Uldurico precisaria de dinheiro urgente para quitar dívidas de sua campanha para prefeito em Teixeira de Freitas.
Pelo plano, Dada pagaria R$ 2 milhões pela liberdade. Joneuma revelou que um adiantamento de R$ 200 mil foi feito: R$ 150 mil entregues em espécie dentro de uma caixa de sapato para o pai do ex-deputado, Uldurico Alves Pinto, e o restante via PIX.
Citação a Geddel Vieira Lima e “broncas” via WhatsApp

A ex-diretora relatou que Uldurico dizia ser cobrado por um “chefe”, referindo-se a Geddel Vieira Lima (líder do MDB na Bahia). Segundo ela, após a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024 (o plano era para apenas dois), Uldurico mostrou mensagens de Geddel indignado:
“Uldurico, eu pensei que ia fugir dois presos, quatro, mas me foge 16, aí você me lasca, cara!”, dizia o texto lido pela delatora.
Operação no Vidigal: Alvo escapou por passagem secreta

Na última segunda-feira (20), a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação no Morro do Vidigal para tentar recapturar “Dada”. O traficante, monitorado pelo MP-BA, havia alugado uma mansão para o feriado de Tiradentes.
Dada conseguiu fugir por uma passagem secreta, mas três pessoas foram presas, incluindo a esposa de um comparsa e um criminoso de alta periculosidade de Goiás. Atualmente, 13 dos 16 fugitivos de Eunápolis continuam foragidos.
O que dizem os citados

Uldurico Júnior: Afirma que as alegações são falsas e que a delatora tenta se isentar de culpa. Nega ter recebido dinheiro ou ter conhecimento de planos de fuga.
Uldurico Alves Pinto (Pai): A defesa classificou as alegações como “absurdas” e aguarda acesso aos autos.
Geddel Vieira Lima: Negou qualquer envolvimento. Afirmou estar indignado e acusou Uldurico de ser “irresponsável” e de “vender seu nome” para acalmar a cúmplice.
Joneuma Silva Neres: Segue em prisão domiciliar após a homologação da delação.
SEAP: Informou que colabora de forma irrestrita com as investigações desde a fuga.
ItapebiAcontece | Com informações do G1 e TV Bahia.






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