Emails obtidos pela PF indicam que uma conta identificada com o nome do senador estava vinculada ao perfil master associado ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro desviado de aposentadorias.

Documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) e divulgados pelo portal UOL revelam que uma conta bancária registrada com o nome do senador Flávio Bolsonaro esteve associada ao perfil de usuário “master” do advogado Willer Tomaz. O advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro vindo de desvios de aposentadorias e pensões do INSS.
Conforme os arquivos e-mails encontrados no serviço de nuvem iCloud, uma funcionária do escritório do advogado solicitou ao Banco Santander, em maio de 2025, a remoção da conta nomeada como “Flávio Bolsonaro” do perfil principal de Tomaz, pedido atendido e confirmado pela instituição financeira no mesmo dia.
A PF esclarece que a mensagem, por si só, não comprova o recebimento de recursos ilícitos pelo senador, mas ressalta que o achado justifica o aprofundamento das investigações sobre movimentações financeiras de empresas e agentes públicos ligados ao caso.
Viagens em jatos executivos custeadas por empresas
Além das contas bancárias, a investigação mapeou registros de voos executivos internacionais utilizados por Flávio Bolsonaro e seus familiares, custeados por duas empresas de Willer Tomaz sediadas em Portugal (Alcazar Holdings e Cathedral Holdings):
- Janeiro de 2025: A empresa Alcazar pagou um voo de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília em um jato Legacy 650, levando o senador, sua esposa, as duas filhas e o próprio advogado.
- Primeiro semestre de 2025: A Cathedral custeou ao menos cinco trajetos internacionais pela empresa de fretamento NetJets, incluindo trechos por Lisboa, Nice e Paris praticados por Flávio e Tomaz com suas famílias.
A aeronave utilizada no voo vindo dos Estados Unidos contava com participação de empresas ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso em março de 2026.
Estrutura e desdobramentos da apuração
As apurações apontam que o escritório e as empresas mantidas por Willer Tomaz atuavam como uma espécie de “hub financeiro, patrimonial e logístico” para agentes públicos e investigados.
Outros pontos de atenção da Polícia Federal na relação do senador com o advogado envolvem:
- Outros benefícios: Uso frequente de jatinhos do advogado, estadia em apartamento de Tomaz em São Paulo e viagem conjunta para um safari na África em março de 2025.
- Escritório de advocacia: A sociedade de Flávio em um escritório em Brasília, administrado por Letícia Caetano dos Reis — cujo irmão é investigado por prestar serviços contábeis a operadores financeiros do esquema do INSS.
- Apostas online: Willer Tomaz também é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro via apostas virtuais, onde a própria defesa alega movimentações de R$ 6,6 bilhões e prejuízo expressivo alegando vício do advogado em jogos (ludopatia).
O portal ItapebiAcontece segue acompanhando o desenrolar das investigações no cenário nacional e os impactos nas articulações políticas.
ItapebiAcontece – Agências






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