Vorcaro diz que ACM Neto e Rueda cobravam 10% de aportes de previdências ao Banco Master

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Em proposta de delação, banqueiro afirma que dirigentes do União Brasil ajudaram o Master a captar recursos públicos e teriam direito a até R$ 200 milhões; ambos negam irregularidades.

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ACM Neto e Rueda, dois dos principais dirigentes do União Brasil, teriam intermediado a entrada de recursos de fundos públicos no Banco Master em troca de uma comissão equivalente a 10% dos valores aplicados. A acusação foi feita por Daniel Vorcaro em uma proposta de delação premiada apresentada às autoridades.

As informações foram reveladas nesta quinta-feira (10) pelos jornalistas Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Natália Portinari. A proposta de colaboração de Vorcaro ainda não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Vorcaro afirma que ACM Neto e Antônio Rueda teriam aberto portas para o Master junto a institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

De acordo com o relato do banqueiro, a atuação dos dois teria permitido ao Master captar aproximadamente R$ 2 bilhões. Vorcaro sustenta que havia uma regra segundo a qual o grupo político responsável pela captação teria direito a 10% do investimento ou a 1% por ano durante o período em que o dinheiro permanecesse aplicado no banco.

Se aplicada aos R$ 2 bilhões mencionados por Vorcaro, a comissão de 10% representaria uma obrigação de aproximadamente R$ 200 milhões. O documento, porém, não informa quanto desse montante teria sido efetivamente pago a ACM Neto e Rueda.

As novas acusações se somam a uma rede de relações políticas que vem sendo revelada desde o início das investigações sobre o Master. A Fórum já mostrou como personagens ligados ao Banco Master aparecem nas eleições de 2026 e em diferentes articulações políticas.

ACM Neto e Rueda teriam mantido “conta corrente” no Master

Na proposta de delação, Vorcaro afirma ainda que a frequência das operações teria levado o banco a manter uma espécie de “conta corrente gerencial” dos valores que os políticos teriam a receber.

O banqueiro atribui a ACM Neto quatro modalidades de repasse. Entre elas estariam pagamentos em espécie e contratos de consultoria envolvendo a A&M Consultoria e a B6 Capital. No caso de Rueda, Vorcaro cita dinheiro em espécie e contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados.

Segundo o material apresentado pelo banqueiro, esses contratos poderiam prever, somados, pagamentos próximos de R$ 3 milhões mensais ao escritório ligado a Rueda.

Vorcaro também entregou mensagens e contratos que, segundo sua defesa, serviriam para corroborar parte da narrativa. A quebra dos sigilos do Master já havia identificado pagamentos de R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda entre 2022 e 2025 e de R$ 5,4 milhões à empresa de consultoria de ACM Neto entre 2023 e 2025.

A teia política em torno do banco também alcança o Congresso. Em outra frente, a Fórum revelou as conexões entre Nikolas Ferreira e o Banco Master, incluindo contatos do deputado com Vorcaro.

Fundos públicos aplicaram bilhões no Banco Master

Há uma diferença relevante entre o relato de Vorcaro e os valores já conhecidos. Embora ele fale em aproximadamente R$ 2 bilhões captados com a atuação dos políticos, os investimentos atribuídos às quatro instituições citadas chegam a cerca de R$ 3,62 bilhões.

Desse total, o Rioprevidência teria investido R$ 2,97 bilhões entre 2023 e 2025; a Amprev, do Amapá, R$ 400 milhões; a Cedae, R$ 200 milhões; e a Amazonprev, R$ 50 milhões.

A proposta de delação não explica a diferença entre os números nem aponta um ato específico praticado por ACM Neto ou Rueda dentro dos institutos. Vorcaro sustenta que ambos teriam atuado na intermediação política para a chegada dos recursos ao banco.

Os investimentos de regimes de previdência em instituições financeiras também passaram a ser alvo de operações da Polícia Federal em diferentes estados. Em agosto, por exemplo, a corporação informou oficialmente a abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos previdenciários em outra operação envolvendo um regime próprio de previdência.

No caso do Master, a dimensão dos problemas levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. A autoridade monetária citou grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Outra reportagem da Fórum mostrou mensagens encontradas no celular de Vorcaro envolvendo as negociações do Master e do BRB, uma das principais frentes da investigação sobre as operações do banco.

O que dizem ACM Neto e Rueda

ACM Neto negou as acusações e classificou as afirmações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”.

Antônio Rueda afirmou que tem dificuldade em comentar um documento ao qual não teve acesso e também negou ter cometido irregularidades.

Até agora, a narrativa apresentada por Vorcaro integra uma proposta de colaboração que ainda depende da análise das autoridades. As acusações e os documentos entregues pelo banqueiro terão de ser confrontados com os demais elementos reunidos nas investigações sobre o Banco Master.

Revista Forum